A infância de Jesus

A_INFANCIA_DE_JESUSA infância de Jesus
De J. M. Coetzee

Sinopse: Em “A infância de Jesus”, J.M. Coetzee imagina um país de estrangeiros que, depois de atravessar o oceano, pagam com o esquecimento da própria trajetória a oportunidade de começar uma vida nova. A condição de estrangeiro também impõe uma língua nova, no caso, um espanhol adquirido precariamente e que ninguém domina por completo.

O leitor é guiado pelo olhar de Simón, recém-chegado que se atribui o papel de guardião de um menino de cinco anos e vai trabalhar como estivador, carregando sacos de grãos de trigo. A subsistência – o simples sustento pelo pão de cada dia – parece ser a única finalidade à qual se dirige a rotina do lugar, onde todos parecem se conformar, não só no que diz respeito à alimentação, a uma dieta moderada.

Inadaptado e insatisfeito, ainda que ansioso por compreender e ser aceito, Simón tenta fazer valer os direitos de alguém cujo corpo continua impregnado de memórias.

Minha Opinião: Ganhei este livro de um amigo meu e fiquei curiosa e muito interessada na leitura, basicamente pela premissa ser de uma distopia (amo! rs).

O começo do livro me surpreendeu: temos um homem e um menino perdidos que, depois de viajarem muito tempo pelo “limbo”, chegam em um lugar chamado Novilla onde devem ter uma vida nova, esquecer o passado, morar em uma casa fornecida pelo governo, conseguir um emprego também através do governo, adotar novas identidades e aprender uma nova lingua.

O homem não é pai do menino, que se perdeu de sua mãe na viagem, então a missão de sua vida passa ser a de encontrar uma mãe para ele. Tudo é narrado do ponto de vista deste homem: Simón, e a história gira em torno da vida dele e de David (o menino).

A linguagem é bem simples e a leitura flui muito bem, o que torna o livro rápido e ritmado.

As melhores partes dele talvez sejam as discussões filosóficas entre os personagens, muitas delas, entre o próprio Simón e o menino. Com base em histórias bíblicas ou de livros como Dom Quixote, a narrativa é contruida para nos instigar a filosofar sobre nosso papel na sociedade, na evolução dela, nos relacionamentos que vivemos e na relação viver X sobreviver X existir.

Muitas vezes achei que esse novo “lugar” em que eles se encontravam era uma metáfora para o céu, e que a vida passada que eles foram forçados à esquecer era a vida na terra, mas enfim, é apenas o meu ponto de vista. Ah! Também não nos é falado em momento nenhum a data em que se passa a história. Confesso que imaginei um futuro, mas não muito distante…

Uma coisa que gostei bastante é que David tem uma maneira diferente de ver a vida e de enxergar o mundo. Ele muitas vezes é julgado erroneamente e me identifiquei muito com isso, porque eu também tenho uma maneira diferente de ver as coisas (esse amigo que me emprestou o livro, por exemplo, pensa que eu vivo num mundo cor-de-rosa, mas é que meu jeito de ver as coisas é um pouco mais ingênuo mesmo). Fiquei apaixonada por este personagem!

O final na verdade me surpreendeu, mas de uma maneira negativa: quando eu achei que ia acontecer algo fenomenal… acabou! Eu literalmente não entendi, então reli o último capítulo e acabei entendendo o significado dele, mas não gostei. Achei que poderia ter sido melhor desenvolvido.

É um livro digno de ser lido por todos, e acredito que não dá para passar batido por ele. 😉

Recomendadíssimo!

Bjs
Marina

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